Imagine um clássico de futebol:

Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Fluminense, Atlético-MG e Cruzeiro...

 

As arquibancadas e os camarotes dão lugar a outros arranjos: pedra, árvore, muro, a janela do barraco e, talvez, alguma escada de concreto improvisada. A torcida organizada aqui são moradores apaixonados pelo time que leva o nome do seu bairro. Conseguiu imaginar? Então, parabéns, porque você acaba de descobrir o que é, afinal, o futebol de várzea...

 

Agora, no lugar do tapete verde, um campo irregular de terra batida de cor bem laranja e mal demarcado. Em vez de craques milionários, os ídolos respeitados da vizinhança.

 

Mudando de campo

E como o nome já diz, o futebol que chegou ao Brasil, antes apenas praticado em colégios, foi parar nas margens de rios. Os primeiros adeptos esbanjavam talento nas várzeas da cidade que crescia sem parar. Assim aconteceu em São Paulo, berço do futebol varzeano. No entanto, a metrópole precisava crescer, e aqueles campos eram essenciais para os grandes empresários que queriam subir prédios e mais prédios.

 

Antes da década de 1930, os mais de 1 mil campos que existiam só na região central de São Paulo começaram a dar adeus a seus adoradores. Do centro para os bairros mais afastados, a cidade crescia. Logo, os campos foram “empurrados” para as pontas territoriais paulistas. Enquanto isso, nas periferias, as pessoas buscavam uma opção de lazer. Pronto! Casamento perfeito entre o campo, que procurava se instalar, e a periferia, que buscava um lugar em que fosse possível brincar, empinar pipa e, claro, bater bola.

 

Atualmente, os campos da região central de São Paulo são verdadeiros oásis na prática do futebol amador. A maior parte dos campos de terra está nas regiões mais afastadas da cidade.

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